Monday, July 16, 2018

A liberdade de expressão não é licença para ofensa, tempos de internet tempos de falas documentadas.

       Acho muito interessante quando dá um rebuliço na internet, por conta do que algum fulano disse. Pois até então esse fulano era formador de opinião e queridíssimo entre os fãs e seus patrocinadores. Sim somos humanos falhamos, TODOS, sem exceção. Mas aí o povo vai resgatar os posts lá do passado do sujeito e vê que o individuo já falava isso ou despaltérios maiores. 
       Ocorre que ainda bem, na maioria das vezes os humanos tendem a repensar as suas atitudes e seus erros e amadurecem com as críticas. Por isso eu quero saber o porque que esse fulano ainda fala isso ou aquilo, talvez não tenha amadurecido. Talvez isso que é errado tenha platéia, o que é preucupante, e muito. E a preguiça dos que trabalham com a imagem de grandes marcas que resolvem patrocinar o fulano apenas pelos views, bora estudar o sujeito, bora saber se corresponde com o perfil da marca.
        Tá puxado, aí depois esses que não se deram o trabalho de investigar a falação do indivíduo, tem que lançar notas pedindo mil perdões ao público que o fulano não representa as ideias da marca. Parem e pensem, muito, mas muito mesmo nesse mundo de influencers. 

Wednesday, May 16, 2018

Estamos virando uma sociedade moedora de carne humana.

       Sim é bem isso mesmo. Está muito complicado saber lidar com a violência. Perdeu-se o respeito pela vida humana, qualquer futilidade já é motivo para matar e a vítima nem mesmo chance de defesa tem. Está muito delicado, e isso não é alarmismo e sim a realidade. A violência em nosso país já é algo estrutural, pois o próprio governo é violento contra a sua população que passivamente aceita os mandos e desmandos de governantes corruptos que saqueiam os cofres públicos e com isto a sociedade vira um salve-se quem puder.
       Não defendo aqui nenhuma corrente ideológica, mas é complicado ficar no status quo, mesmo com a violência comendo solta estamos num marasmo. A classe política nada faz para mudar e tampouco para melhorar. É criança morrendo de bala perdida, morrendo porque um motorista bêbado em alta velocidade subiu na calçada, morrendo por violência sexual, morrendo por negligência médica, morrendo em suma por falta de atenção dessa sociedade moedora de carne humana.

Thursday, May 10, 2018

O que eu quero dos candidatos do pleito de 2018.

              Sim sou meio chatolina, assisto aos programas eleitorais adoro ver os debates. E antes do pleito já começo a observar os candidatos antes do período eleitoral. E não observo apenas aquele que eu já tenha uma predisposição a votar, mas sim todos os demais também. É normal que durante a corrida eleitoral os candidatos passem por uma pasteurização da imagem, realizada com o árduo trabalho de marqueteiros. Aqui estou colocando todos no mesmo saco, nenhum escapa, seja de direita ou esquerda.
                Não sei se o resultado das eleições vai mudar o rumo do Brasil, pois existem problemas estruturais na governança do país. Enquanto não mudar a questão de nomeações, não acabará o tomá-la da-cá e cada vez mais a corrupção aumentará. Pois a estrutura de governo deve ser mudada para romper esse ciclo. E isso exige pessoas de muita coragem e de um caráter muito digno, pois a resistência será grande.
                Mas eu espero que os próximos candidatos, se preocupem com a população e não com os interesses especulativos de mercado ( empreiteiras, bancos e o escambau). O compromisso em saneamento básico, na logística de escoamento da produção, na segurança pública, na educação e na saúde. Eu sei que do jeito que eu falo aqui, parece que eu busco uma fada madrinha que transforme o Brasil de gata borralheira em Cinderela. Mas não custa sonhar, cobrar e pleitear. 

Wednesday, May 9, 2018

Crise da Educação um descaso da democracia.

           A educação no Brasil desde de a consolidação da democracia após os governos da ditadura militar, vêm sendo tratada como feudo eleitoral. Pois a indicação é feita pelo presidente da república e não é um cargo de carreira. Sofre também com as rupturas ideológicas em trocas de governos, não dando coesão ao trabalho pedagógico.
              Do total de vinte e um ministros durante o período após a ditadura até os dias de hoje, apenas cinco são professores. Dentre os demais tem-se advogados, economistas, administradores, engenheiros e médicos. Aí já se pode notar que as demais profissões “entendem” ao ver do gestor, mais da educação do que o próprio professor. Não sei mensurar os demais ministérios, mas acredito que o Ministério da Saúde dificilmente terá como ministro um professor ou qualquer outro profissional que não seja da área da saúde.
                A educação deve ser levada a sério, deve preconizar a competência a formação na área pedagógica, para que assim se saiba onde e porque investir. E não mais ser feudo eleitoral de partidos na divisão dos ministérios entre os aliados da base do presidente. Queria me expressar muito mais neste texto, mas deixo aqui apenas o início de uma ideia que cada um pode buscar mais argumentos pró ou contra o que aqui foi apresentado.

Monday, December 25, 2017

Leitura de ontem: "Poesia com Rapadura" de Bráulio Bessa.


          Pensa num livro de poesia suave, mas que ao mesmo tempo mexe muito com o seu íntimo e com toda a sutileza do embaixador da cultura nordestina na internet. Muito bacana para dar de presente, para quem for. Pois é aquela poesia carregada de crítica, mas de alma leve.
             Com ilustrações de xilogravura, traz consigo a levesa do ser nordestino. A levesa do modo de ver o mundo, mesmo que cascudo ainda existem coisas belas. 

Sunday, December 24, 2017

Leitura do outro dia: " Uma bolota molenga e feliz", de Sarah Andersen


          Pensa num livro que é uma crítica a dita geração millenium, é ele. A autora ficou conhecida por suas tirinhas na internet e este livro é uma coletânea delas. Apresentado de forma bem divertida, posso dizer que tive alguns momentos de identificação sim. Ela captura através de seus traços simples, mas de um texto muito objetivo a atual vida adulta dessa geração. Gostei, recomendo como presente e também como leitura. 

Thursday, December 21, 2017

O PAPEL DA MÍDIA NA CRIAÇÃO DO MEDO DO CRIME

            Sabe-se que a mídia televisiva é uma concessão pública no Brasil, isto é não é qualquer um que pode abrir uma emissora de televisão. Pois existem critérios que definem um perfil de administrador e que isso passa por um aval político. Sendo assim se você pretende abrir um canal aberto de televisão aberta no Brasil, deve pedir autorização ao governo e para tal muitos dos atuais “donos” de canais abertos dependeram de favores políticos para conseguirem obter tal concessão, com isto demonstra-se de que a mídia formadora de opinião não é livre e sim sujeita a interesses governamentais.
            Há também por trás da mídia quem a mantém, do que sobrevive um canal de televisão, como que ele ganha dinheiro para se manter. Isso ocorre por meio da venda de horário e espaço para comerciais. Sendo assim grandes corporações compram esse caros espaços de propaganda para exibição de seus produtos e suas ideias. Nota-se assim que um canal de televisão não pode fazer propaganda contra de quem o permitiu funcionar (o governo) e tampouco de quem o sustenta (grandes empresas e corporações). A mídia então não é livre para expressar e investigar aquilo que ela bem entender, ela está a serviço de seus patrocinadores e distorce assim a realidade para a população.
            A mídia assim sendo entra com um papel fundamental de controle social, por meio da criação da sensação de medo na população, o que faz com que a mesma não preste atenção em assuntos de interesse geral e se limite em resguardar-se para que nada de mal ocorra com a  mesma. E para que serve o controle social que pode ser exercido pela mídia? Para tal caracterização será necessário citar o que vem a ser controle social, de acordo com BOTTOMORE e OUTHWAITE (1996):

Esse conceito descreve a capacidade da sociedade de se auto-regular, bem como os meios que ela utiliza para induzir a submissão a seus padrões. Repousa na crença de que a ordem não é mantida apenas, nem sequer principalmente, por sistemas jurídicos ou sanções formais, mas é, sim o produto de instituições, relações e processos sociais mais amplos.


            Com a caracterização feita anteriormente, nota-se que a mídia por meio de seus telejornais e programas policiais exerce sim um papel de controle social na criação do medo na população e no direcionamento do foco das informações. Pois a ênfase dada aos atos de violência criminal ao cidadão é maior maior do que a o espaço das matérias de corrupção que caracterizam-se também como uma violência simbólica contra o contribuinte.
            O medo é caracterizado por BORGES (2011) como uma emoção, a qual é construída por meio do convívio social humano. Sendo assim muito dos tidos como “medo” podem ser reais e produtivos, ou imaginários e destrutivos. Não quer dizer aqui que a violência seja algo fictício inventado pela mídia, mas que esta a exponencia numa proporção a qual não é real. Crimes ocorrem sim a toda hora e em qualquer local, mas não pode ser isso que seja motivo de criar toda uma indústria da segurança privada e o medo em sair de locais tidos como seguros, que afastarão o sujeito do convívio social.
            Por meio da criação do medo de assaltos a residências por exemplo a construção de condomínios fechados e com segurança privada aumentou exponencialmente no Brasil nos últimos anos. O que não impede atualmente que os bandidos invadam essas propriedades e efetuem arrastões, no qual essa camada da população acaba sendo de certo modo violentada. Apenas dá um ar de maior segurança, mas não garante que a mesma exista de fato.
            Sendo assim a violência não é um fenômeno isolado, uni causal e se manifesta sob diversas formas. De maneira geral, essas formas de violência ganham visibilidade e disseminação nos meios de comunicação, tanto na ficção quanto no jornalismo, tanto em texto quanto em imagens. A mídia deve ser entendida aqui como instrumento de controle social que contribui ou não para que o Estado assuma seu papel.
            Nota-se que a mídia não se preocupa em manter uma programação de qualidade a qual faça com que o indivíduo se liberte de seus medos e suas amarras, muito pelo contrário esta lucra significativamente para que este permaneça alienado e temeroso ao que pode ocorrer com ele em contato com o mundo exterior. Com isso cada vez mais aumenta o índice de indivíduos com fobias sociais e neuróticos com segurança.
            A mídia detém o privilégio do alcance  de toda a população, uma vez que por se tratar de uma comunicação áudio-visual não é necessário ser alfabetizado para ter acesso a mesma. Falta-lhe encontrar seu verdadeiro sentido de indutora da cidadania, ou seja, despertar no indivíduo o interesse pelo bem comum, pelo bom funcionamento das instituições, pelo bem-estar da coletividade. Mas não convém a esta ( a mídia) favorecer o desenvolvimento de uma consciência crítica.
            Como a televisão no Brasil pertence a uma elite, ota-se que esta utiliza-se desse mecanismo da criação do medo, para esconder os grandes escândalos de desvio de dinheiro do governos, de acordos entre governo e grandes corporações e da falta de investimento do governo em muitos setores públicos. Sendo assim o indivíduo preocupa-se mais com os casos de violência urbana, recordando-se assim de casos considerados de pessoas tidas como monstros (Caso Nardoni, Caso Suzane Von Richtofenentre outros), do que propriamente em acompanhar o que o político no qual ele votou na ultima eleição está fazendo em benefício da população. Tornando assim a violência um espetáculo popular o qual  tem tanta audiência como os esportes populares no Brasil, no caso o futebol.
            A violência retratada pela mídia joga questões de julgamento para a cidadão. Lembre-se aqui do caso da jovem Eloá Cristina, a qual foi feita refém no próprio apartamento com mais 3 amigos e morta pelo ex-namorado (fato ocorrido em outubro de 2008). Esse caso foi televisionado do início ao fim pela mídia. Foi um espetáculo nacional, todos os jornais e programas policiais falavam do caso em tempo real e davam noticias de tudo o que ocorria. O que prejudicou inclusive a atuação da polícia , uma vez que esses programas interagiam com o rapaz via telefone e esse assistia tudo o que ocorria do lado de fora do cativeiro pela televisão.
            Esse fato rendeu assunto por uns três messes como mínimo para a mídia na época, e até hoje é assunto, pois ainda está em processo de julgamento. O que é de se chamar atenção é que fatos como esse ocorrem rotineiramente e não ganham a mínima importância. Apenas quando é interesse da mídia e de políticos. Assim como outros casos de violência extrema que chocam, mas que possuem uma certa identificação social com o público de audiência da televisão aberta, ganha ênfase para que assim torne-se um espetáculo e todos de certo modo se identificam com a dor dos familiares das vítimas.
            O interesse em tornar esses casos de grande identificação popular num espetáculo, serve também para aumentar a audiência o que faz com que o preço cobrado pela propaganda vinculada a esses programas subam de preço. Uma vez que estão sendo assistidos por um número maior de pessoas e dando assim maior visibilidade aos produtos ali exibidos.
            É muito comum que tanto os programas policiais como os telejornais façam em cada caso toda uma dramatização da cena do crime com auxílio da computação gráfica, com o intuito de por o telespectador dentro da cena do crime e que assim ele poder emitir de certo modo um juízo de valor sobre o fato. Funcionando assim a mídia como uma formadora de um pré julgamento antes mesmo da conclusão do inquérito policial, pois além de toda essa dramatização a mesma coleta depoimentos de familiares e conhecidos tanto da vítima como do apontado por ela como algoz. Trabalhando assim com a mesma dinâmica de um julgamento oficial e colocando a população na posição privilegiada de juri, a qual condena ou não a atitude do sujeito antes mesmo deste ir para o julgamento e antes mesmo da apreciação de todas as provas do fato.
            Fica aqui o questionamento, até onde a mídia pode noticiar um fato sem interferir no julgamento do mesmo. Como desenvolver uma mídia que não cause um desserviço para a população e não se utilize dos seus mecanismos como forma de alienar e angariar mais fundos para a sua tão lucrativa função. É uma situação delicada, pois cada vez que se fala em um código de ética para a mídia, a mesma joga para a população de forma a dar a entender que está sendo censurada e que como isso pode ocorrer num Estado livre e democrático.
            O questionamento fica ainda mais intenso quando nota-se que quem detém o poder da mídia cria mecanismos de controle por meio dela, através da dominação do medo, mexendo assim fortemente com o imaginário popular e distanciando as pessoas assim de uma sociabilidade. Pois causa assim o medo do outro, o outro pode ser um assassino em série, ou um violentador de criancinhas de acordo com o perfil traçado pela mídia com o auxílio de “especialistas” entendidos do assunto.
            Por meio dos argumentos apresentados ao longo deste artigo, pode-se perceber de que o medo com relação a violência urbana é socialmente construído, e fortemente influenciado pela ênfase midiática dada ao tema. Evidenciando assim que a mídia transpõem também a realidade desigual da sociedade e a sua hierarquização.
             A mídia exerce um importante papel no desenvolvimento de orientações culturais, visões de mundo, crenças, valores e imagens (geralmente estereotipadas). O fato é que a TV domina a vida das crianças e adolescentes, pois estes passam horas diante da televisão, sendo assim bombardeados por todo e qualquer tipo de informação por ela prestada.  E na televisão aberta quando um fato de grande monta como os já citados anteriormente acontecem, algumas emissoras interrompem qualquer que seja a programação, para não perder o furo de reportagem e assim garantir o seu alto índice de audiência. Não se importando nem mesmo se é o horário da programação infanto-juvenil. Com isto, pode-se caracterizar-se o medo pelo crescimento do sentimento de vulnerabilidade dos indivíduos, o qual pode ser creditado em grande parte pela mídia a qual noticia os fatos e também os torna um espetáculo teatralizado para o grande público.
            Sendo assim uma pessoa que se mantém sem assistir televisão não possui a mesma sensação de insegurança do que outro que assiste diariamente. Pois este que não assiste, apenas se itera da violência cercana e não de crimes os quais ocorrem em localidades por ele nunca imaginadas e tampouco visitadas. A rotina dele se torna mais tranquila e menos carregada de preocupações com relação a violência do que o sujeito que assiste programas policiais.
            Deve-se tomar muito com relação ao papel da mídia ante a violência urbana, pois esta também não pode fingir de que isto não existe, mas sim tratar do tema com maior discernimento, por exemplo buscando quais são os fatores sócio-econômicos que fazem com que exista essa violência e buscar com a comunidade prováveis possíveis soluções para a problemática. Sem fazer da violência um teatro dramático com roteiro de telenovela.
            E que  a criação do medo não funcione mais como uma “cortina de fumaça”, a qual serve para desviar a atenção da população de temas importantes (corrupção, educação, saúde pública …) para que esta fique alienada a pensar apenas na sua segurança em particular.  Para que assim a mídia exerça uma função social de mobilização social para o debate de problemas públicos, por meio de seu espaço midiático e sua abrangência.
            Acredita-se que se o atrelamento ao governo fosse reduzido e também o espaço de comercialização também fosse reduzido, em compensação receberia uma parte em patrocínio público. Pode ser que assim esta não precisa-se lutar tanto por audiência e submeter os seus telespectadores a assistirem casos tão fora do normal. Pode ser que assim talvez melhorasse a qualidade programática da televisão aberta no Brasil.
            Contudo há muito que se desenvolver sobre mídia no Brasil, tendo em vista que o país ainda importa muitos formatos de programas do exterior e não busca em muitos casos produzir ideias próprias para o público ao qual ela atende. Então enquanto isso ocorrer dificilmente haja uma mudança significativa na mídia televisiva do Brasil.














Referências

OUTHWAITE, W.; BOTTOMORE, T. (eds.). Dicionário do pensamento social do século XX.Rio de Janeiro: Zahar, 1996.

SENTO-SÉ, João Trajano. Violência, medo e mídia: notas para um programa de pesquisa. In: <www.lav.uerj.br/docs/art/jt/jt_2003-COMUM.pdf >. Acesso em: 10 jun. 2012.


WACQUANT, Loïe. Insegurança social e surgimento da preocupação com a segurança. In < www.panoptica.org/panpticaedio19julho2010/19_8.pdf > . Acesso em: 10 jun. 2012.