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Wednesday, May 9, 2018

Crise da Educação um descaso da democracia.

           A educação no Brasil desde de a consolidação da democracia após os governos da ditadura militar, vêm sendo tratada como feudo eleitoral. Pois a indicação é feita pelo presidente da república e não é um cargo de carreira. Sofre também com as rupturas ideológicas em trocas de governos, não dando coesão ao trabalho pedagógico.
              Do total de vinte e um ministros durante o período após a ditadura até os dias de hoje, apenas cinco são professores. Dentre os demais tem-se advogados, economistas, administradores, engenheiros e médicos. Aí já se pode notar que as demais profissões “entendem” ao ver do gestor, mais da educação do que o próprio professor. Não sei mensurar os demais ministérios, mas acredito que o Ministério da Saúde dificilmente terá como ministro um professor ou qualquer outro profissional que não seja da área da saúde.
                A educação deve ser levada a sério, deve preconizar a competência a formação na área pedagógica, para que assim se saiba onde e porque investir. E não mais ser feudo eleitoral de partidos na divisão dos ministérios entre os aliados da base do presidente. Queria me expressar muito mais neste texto, mas deixo aqui apenas o início de uma ideia que cada um pode buscar mais argumentos pró ou contra o que aqui foi apresentado.

Monday, December 23, 2013

EDUCAÇÃO E RELAÇÕES INTERÉTNICAS





Ao se trabalhar a questão de etnias em sala de aula, deve-se lembrar de toda a trajetória histórica dessa questão no campo da educação. Pois esta foi excludente tanto no acesso de diferentes etnias, como também no estudo das mesmas pelos alunos. É interessante trabalhar sobre a perspectiva traçada por Bourdieu, pois este apresenta que a exclusão cultural também é uma forma de violência, e disso os educadores devem ter consciência em sala de aula, para não continuar reproduzindo um discurso excludente.
A escola torna-se assim um espaço propício para a quebra de paradigmas sociais, pois os alunos trazem consigo todos os estigmas sociais e também o preconceito imposto pela sociedade e suas famílias. Com isto o professor pode romper essa barreira, com uma ação educativa a qual carregue consigo conteúdos que desconstruam as práticas sociais as quais os alunos estão acostumados a executarem. Gerando assim uma reflexão dos mesmos em suas práticas e também na compreensão das práticas da sociedade.
       O professor deve ir além do que está nos livros didáticos, deve sim é pesquisar e buscar materiais que lhe forneçam lastro cultural. Buscando assim o discurso do outro também, dos movimentos de lutas sociais e também as fontes primárias que podem ter uma nova interpretação com este novo olhar do pesquisador. Será um difícil exercício para o profissional, pois a formação multiculturalista é recente na matriz curricular das universidades. Sendo assim o principal fator para esse exercício é a sensibilidade profissional.

Tuesday, July 2, 2013

Simples reflexão...

       Os meios de comunicação em massa estão aí, concorrendo abertamente com o professor que está em sala de aula. Acontece que muitos professores, independente de sua formação, não conseguem transpor essa barreira entre a escola e o que se passa na sociedade. Pois as aulas estão ficando desinteressantes aos alunos, o conhecimento está cada vez mais descontextualizado com a realidade do educando. O professor é a peça fundamental para essa transposição da escola para a sociedade.
       Existe desmotivação por parte de alunos e também de professores, mas deve-se lembrar que o professor deve responder aos anseios da sociedade, visto que a escola está para a formação de membros da sociedade. Se queremos e lutamos por transformação social, esta deve se iniciar no seio da escola. Pois é lá que os alunos podem errar sem medo, que os professores podem pôr em prática as teorias aprendidas ao longo de sua formação.
      A escola deveria ser levada mais a sério pela sociedade, pois se ela fosse sólida de fato a sociedade desfrutaria hoje de uma melhora na qualidade de vida. Não podemos esperar que só o governo tome conta da escola, devemos nos lembrar também que temos a nossa parcela de participação em todas as instâncias governamentais e devemos fazer valer.
Um outro ponto a recordar é de que a escola é um organismo vivo que está recebendo o tratamento de algo estático. Os alunos completam os seus estudos e poucas mudanças estes presenciam do momento que entram ao momento que se formam na mesma. Ao passo que eles mudam, e como mudam. O abandono até mesmo físico da escola pública um ponto a se pensar, pois na escola privada todo ano o dono sempre faz alguma reforma visível aos olhos dos alunos, que sempre que retornam das férias chegam esperando alguma novidade e encontram.
       É assim também com o professor o mesmo quer encontrar algo novo na escola que o motive, mas tudo está igual ou pior salvo algumas exceções. Mas e a sociedade, está buscando essa mudança na escola? Se soubessem que uma educação básica bem robusta seria a solução algumas mazelas sociais. Mas enfim, está cômodo como está, pois não há movimentos fortemente expressivos para essa mudança estrutural da educação.

Friday, June 28, 2013

O jogo de regras e a indisciplina em sala de aula.



       A indisciplina escolar pode ter origens diversas, mas que devem ser pesquisadas pelos professores para a melhoria de sua prática docente em sala de aula. Pois o aluno que não consegue seguir as normas de convivência social, pode estar fazendo isso para atentar o profissional de outro problema que o mesmo possa estar passando. Mas um fator interessante da indisciplina é defendido por (ECCHELI, 2008 p. 200):
         “É provável que a indisciplina observada nas escolas esteja diretamente relacionada à falta de motivação dos alunos diante do fato de se verem obrigados a estar numa sala de aula sem entender o porquê e para quê daquilo, considerando os conteúdos inúteis ou, mesmo que sejam úteis, não compreendendo bem para que servem ...”

            Cabendo assim ao professor uma tornar suas aulas, mais interessantes aos alunos, fazendo com que os alunos se apercebam da significância dos conteúdos trabalhados em sala de aula no seu cotidiano. Partido dessa premissa, os conteúdos também podem ter uma abordagem mais motivadora originada pelo professor.
            Existem pesquisas que atentam para que a criança indisciplina em sala de aula, não é necessariamente indisciplinada em outros espaços de convívio social. Sabe-se de que há diferenças comportamentais de acordo com o espaço social no qual o jovem está inserido naquele momento. Como aponta (AQUINO, 1998 p. 5):
“Pois bem, esse tipo de entendimento da questão disciplinar, mais de cunho psicológico, merece pelo menos dois reparos: o primeiro, com relação à ideia de ausência absoluta de limites e do desrespeito às regras; o segundo, sobre a suposta permissividade dos pais.
         Vejamos o primeiro: se prestarmos um pouco de atenção nos alunos mais indisciplinados fora da sala de aula, num jogo coletivo, por exemplo, veremos o quanto as regras são muito bem conhecidas pelas crianças e adolescentes. Não é nada estranho a um jovem de hoje em dia a vivência de uma situação qualquer de acordo com as regras muito bem esclarecidas, rígidas na maioria das vezes.
         Um bom exemplo disso se encontra quando, num jogo ou brincadeira infantil, alguém não cumpre aquilo que foi acordado previamente entre os participantes, e este assim considerado “desviante” ou infrator é severamente punido ou mesmo expulso do jogo. No limite, pode-se afirmar que um “governo” infantil é nitidamente despótico, porque não prevê jurisprudências, prerrogativas, maleabilidade.”

            A teoria exposta anteriormente é interessante, pelo fato de que no jogo a sociedade envolvida pode ser utópica, a justiça é cumprida no exato momento em que se descobre a trapaça. Forjando assim um compromisso maior entre os alunos, quando trabalhado o jogo paralelamente ao conteúdo, pois há o julgamento dos valores e da disciplina que é questionada pelos próprios alunos durante o jogo.
            Existe um problema a ser pontuado no universo infanto-juvenil que é a falta do lazer lúdico, pois estes por muitas vezes são obrigados pelos seus pais a cumprirem agendas de atividades que nada possuem de lúdico e muito possuem de obrigações e compromissos. O que faz com que a criança ou adolescente não viva o lúdico que é fundamental nessa fase do desenvolvimento.
            É comum ver crianças apáticas devido ao abatimento causado pelas horas exaustivas de cursos e esportes extracurriculares que seus pais as submetem para que através desses cursos obtenham na fase adulta uma prosperidade econômica. Esquecendo-se da importância do brincar e jogar na infância e na adolescência, causando-lhes provavelmente futuros traumas, por não terem vivido de acordo com a idade biológica.
            O lúdico faz com que a imaginação aflore no indivíduo, despertando-lhe para a criatividade e para uma maior tranquilidade em momentos de adversidades. Pessoas que jogam e que brincam, conseguem apontar um maior número de possíveis soluções para um problema que lhes é apresentado. Como apontam (DIATKINE e LEBOVICI, 1985 p. 14):
         “Ação livre, sentida como fictícia e situada fora da vida comum, capaz, não obstante, de absorver totalmente o jogador ; ação despojada de qualquer interesse material e de qualquer utilidade, que se realiza num tempo e num espaço estritamente definidos; desenvolve-se com ordem, segundo regras estabelecidas, e suscita, na vida, relações de grupo que, saborosamente, se rodeiam de mistério, ou que acentuam, mediante o disfarce, o quão estranho são ao mundo habitual.”

            Essa carência de brincar e jogar, adequar-se aos limites do jogo e entregar-se ao universo infinito do lúdico, gera um desconforto e também uma ânsia no educando, para que essa falta seja suprida. Outra afirmação importante a ser considerada sobre a carência do lúdico em alguns casos é (DIATKINE e LEBOVICI, 1985 p. 12):
         “Com efeito, a atividade lúdica da criança é considerada com menosprezo pelo adulto, que a contrapõe ao seu trabalho cotidiano... Mas esta aplicação da técnica psicodramática é, em certos grupos , uma das melhores formas de abordar as dificuldades de identificação nas relações interpessoais.”

            As regras existentes num jogo possuem uma motivação para estarem estabelecidas, e a sua compreensão por parte dos jogadores é importante para que haja um desenvolvimento salutar da atividade proposta. Uma vez que, as regras são os limites que existem na sociedade miniaturizados para o universo lúdico do jogo. A simulação de atividades adultas por meio dos jogos facilitarão aos jogadores a compreensão das regras de convívio social quando estiverem na fase adulta como na afirmação a seguir, “Através da brincadeira, descobrem-se a vida social dos adultos e as regras que regem essas relações.” (CANEDA e GARÓFENO, 2005 p. 77).
            A compreensão das regras de um jogo a ser aplicado com crianças é importante, para que não haja um julgamento dúbio do mediador e dos outros jogadores com referência à situações adversas que se apresentem. Tanto os jogadores devem estar interados das regras como o mediador também, pois com todos os membros interados a dinâmica é mais intensa e não se torna necessário parar o jogo a todo instante para conferir e refletir as regras em cada caso isolado.
            Crianças possuem uma necessidade de regras e limites, que elas mesmas testam cotidianamente para conhecerem melhor o seu meio e a si própria como afirma (CHATEAU, 1987 p. 66):
         “A criança ama a regra; na regra ela encontra o instrumento mais seguro de sua afirmação; pela regra, ela manifesta a permanência do seu ser, de sua vontade, de sua autonomia.”

            A regra previamente estabelecida entre os jogadores é o ordenamento dos atos destes mesmos, pois sem as regras não há um roteiro a ser seguido por estes, claro que o lúdico vai abrir-lhes caminhos maiores dentro do jogo. Mas serão as regras que ordenarão a sequencia lógica do jogo e o papel de cada jogador inserido nesse contexto.
            Não se pode deturpar o jogo como um adestramento juvenil como muitos se utilizam dessa prática para esse fim, mas sim do jogo como um momento de reflexão de tomadas de decisão e também de vivência do lúdico e da criatividade infanto-juvenil. Sendo assim as regras não são para cerceamento da liberdade e da criatividade, mas sim normas de conduta dentro do contexto do jogo.
            A indisciplina escolar do aluno pode causar-lhe problemas na fase adulta por não ter percepção das regras sociais do universo adulto. Portanto é interessante que se faça um trabalho ainda na fase da infância ou mais tardar na adolescência, para que este não se prejudique na fase adulta por desconhecimento de convivência social.
            Se o indivíduo não é motivado a vivência social na infância e na adolescência, este tenderá a ter distúrbios comportamentais na fase adulta. Uma vez que para muitos cargos em empresas são exigidas certas aptidões sociais do indivíduo para a sua contratação, como liderança, oratória, relacionamento interpessoal dentre outros. E essas aptidões não são aprendidas como qualquer conhecimento científico, mas sim através da vivência de situações sociais adversas para que a mente se acostume a tomada de decisões.
            Na infância e na adolescência o caráter e a moral ainda são moldáveis, uma vez consolidados certos valores para os indivíduos, dificilmente serão remodelados ou substituíveis. Um exemplo é o preconceito que quando trabalhado desde a infância para acabar com ele no indivíduo é muito provável que na fase adulta desse sujeito ele já não tenha mais isso incutido em sua mente. Mas quando não são trabalhados, os problemas serão sérios para o sujeito principalmente e também para a sociedade.
            As regras, portanto do jogo facilitam ao aprendizado social do indivíduo, que levará esse conhecimento para a sua fase adulta. Sendo assim o jogo um instrumento fundamental para o aprendizado, que influenciará de modo direto na fase adulta. Podendo assim ser utilizado sem restrições para os casos de indisciplina escolar, pois é uma ferramenta que deve ser utilizada, mas sempre com o devido planejamento e com o devido propósito, para que não se torne algo sem sentido para os alunos e também sem função. Pois o jogo deve ter os seus propósitos bem claros para os seus participantes e também para o planejamento docente.


REFERÊNCIAS


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